Apresentação

Projecto Europeu: “Escola da Floresta: a Aventura da Aprendizagem”

 

A candidatura deste projecto ao Programa Europeu ERASMUS+ (Ação Chave 2 – Educação e Formação Profissional, Transetorial, Código:  2014-1-PT01-KA200-000 470) ocorreu após a experiência de 6 anos do projecto nacional com a designação de “Escola da Floresta”, desenvolvido pela QE (Questão de Equilíbrio” – Associação de Educação e Inserção de Jovens) (de 2002 a 2008) em parceria com várias escolas Básicas e Secundárias de Setúbal, com o objetivo de motivar jovens em situação de risco social, alunos que abandonaram e/ ou negaram o sistema escolar regular, a reiniciar o seu processo de formação escolar e a adquirirem e desenvolverem competências pessoais e sociais necessárias para a sua inclusão social e no mundo do trabalho.

O desenvolvimento do projecto europeu “Escola da Floresta: a Aventura da Aprendizagem” decorreu de outubro de 2014 a março de 2017.

Objectivo:

– Capacitação / formação de professores e outros profissionais da área da educação para a intervenção com jovens desmotivados, com comportamentos violentos, em risco de abandono escolar e exclusão social.

Pertinência do projecto:

Portugal é um dos países do mundo com maior número de alunos com insucesso escolar (em 2012, 35% dos alunos com 15 anos perderam, pelo menos, um ano escolar: OCDE – Equity and Quality in Education), e o 3º com maior taxa de abandono escolar antes de terminado o ensino secundário, com 20,8% na EU a 27 países (Labour Force Survey – Eurostat), números muito superiores à média europeia de 12,8%, e longe da meta de 10% que se pretende atingir.

Pela experiência do trabalho desenvolvido anteriormente, considera-se que o insucesso e abandono escolares são devidos, em parte significativa, à falta ou insuficiência de acompanhamento adequado no processo de aquisição de competências básicas, familiares e/ou escolares, quer por negligência ou impreparação familiar, quer por insuficiências pedagógicas dos educadores/professores ou condicionalismos do sistema educativo.

Por outro lado, a pertinência deste projeto baseia-se no facto, consensualmente aceite, de que embora nas instituições de acompanhamento de jovens em risco, bem como na generalidade das escolas do nosso sistema de ensino regular, existam alguns mecanismos de intervenção social e psicológica, os técnicos dessas áreas não foram formados academicamente para o desempenho de tais funções quando intervêm com jovens / alunos com problemas emocionais e em situação de risco social, bem como nas escolas não existirem sequer tais técnicos para a necessária articulação com as famílias, peça fundamental para uma adequada intervenção educativa.

Também os professores não foram adequadamente formados para lecionarem turmas com elevado número de alunos desmotivados e violentos, como também não foram preparados para trabalhar fora da escola, em espaços naturais e informais, sentindo dificuldades acrescidas quando têm necessidade, ou possibilidade, de articular o seu trabalho com associações que dispõem de recursos alternativos aos da sua escola, como sejam os casos de práticas de actividades de aventura, descoberta e risco controlado, que motivam os alunos e podem ser rentabilizadas para as aprendizagens escolares.

Por fim, os professores também não foram preparados para aproveitar os espaços informais e não-formais, as atividades físicas, desportivas e culturais, as dinâmicas de grupo, de forma a rentabilizá-las para a motivação dos alunos na aquisição de conhecimentos e competências.

Embora outros projectos europeus se tenham debruçado sobre o tema do insucesso, abandono e desmotivação escolares, acabaram por fixar a sua atenção nos materiais didácticos disponíveis e nos programas escolares e não nas metodologias alternativas e recursos naturais.

A nossa experiência diz-nos que a resolução ou redução dos problemas do insucesso e abandono escolares, bem como da desmotivação dos alunos, passa mais por uma virtuosa articulação de condicionantes, como a do perfil e a da formação de professores, com condições organizativas da escola e das turmas, dos horários e programas, da carga horária e composição das turmas, do aproveitamento de recursos existentes e das sinergias a criar, de situações inovadoras para a aprendizagem, em particular quando em contacto com a natureza e com a sociedade envolvente.

Quanto ao perfil dos professores, pensamos que uma atitude diferente destes, deverá ser adquirida e treinada, bem como a própria capacitação / descoberta de motivação para a lecionação, o que pressupõe diferente processo de formação e de monitorização das suas atividades, adoção de novos espaços de aprendizagem e descoberta de outros /novos momentos para tal, com vista a uma maior motivação dos alunos.

É fundamental que seja assegurada:

– a descoberta /identificação da utilidade dos saberes e transposição destes, e de competências escolares adquiridas, para situações concretas da vida em sociedade;

– a intervenção ativa dos jovens / alunos nos processos de aprendizagem e aquisição de saberes, na monitorização do seu processo de aprendizagem, bem como a sua participação na sociedade, no exercício da cidadania, começando na escola com a participação na resolução ou redução dos seus problemas;

– a adopção de metodologias que promovam a aprendizagem através da prática e de programas adequados aos interesses dos alunos, da sociedade em geral e do mundo do trabalho em particular, em contacto com a natureza e a sociedade envolvente;

– o diagnóstico das dificuldades de cada aluno, a identificação de lacunas nos processos de aprendizagem anteriores e o apoio concreto à ultrapassagem das mesmas;

– a relação professor-aluno; aluno-aluno e professor-professor de forma a garantir a confiança do aluno no professor, a aquisição de competências de trabalho colaborativo entre os alunos e a articulação de trabalho entre professores;

– a existência de cursos e programas adequados à sociedade dos nossos dias, à necessidade, em concreto de desenvolvimento do país, às motivações e características específicas, socio-culturais e económicas, dos alunos, tendo em conta os mais desfavorecidos socialmente e os que, por motivos vários não aderem à escola, nomeadamente quando fechada, formal, teórica, com cursos sem sentido aparente e afastada do funcionamento da sociedade actual.