História

Projecto “Escola da Floresta”

A designação deste projecto correspondeu à experiência que durante 6 anos (2002 a 2008) foi desenvolvida pela QE (Questão de Equilíbrio” – Associação de Educação e Inserção de Jovens) na tentativa de motivar jovens em situação de risco social, que abandonaram e/ ou negaram o sistema escolar regular, a reiniciar o seu processo de formação escolar e a adquirirem e desenvolverem competências pessoais e sociais necessárias para a sua inclusão social e no mundo do trabalho.

Para tal, a “Escola da Floresta” utilizou como recurso motivador dos jovens para a aprendizagem, actividades fora da escola, nomeadamente nas florestas e arribas da Arrábida e no Rio Sado, respetivamente.

A intervenção com os jovens incidiu prioritariamente na reestruturação emocional dos mesmos, promovendo a aquisição de competências sociais e pessoais, básicas para a vivência em sociedade, para o fortalecimento e consistência da vontade de perspectivar o futuro, utilizando, entre outras, metodologias inerentes ao conceito das Atividades de Risco Controlado (escalada em rocha, canoagem no mar, boxe educativo…), transpondo as aprendizagens obtidas nas mesmas para a vida real.

Paralelas e complementares, foram as intervenções psico-sociais e psicoterapêuticas, devidamente acompanhadas por técnicos com formação específica.

Pelo conhecimento adquirido e pela consciência de que só a articulação acima referida possibilita resultados positivos e permanentes, foi apresentado o presente projeto europeu, contando com a experiência reconhecida dos parceiros convidados e com a experiência vivida no projeto europeu ARPI (Atividades de Risco e Pedagogia de Intervenção) – Programa Leonardo da Vinci, tendo como resultado a criação do “Dispositivo ARPI”  (ver Metodologia), recurso a ser empregue na intervenção a efetuar com grupos piloto no projeto Escola da Floresta.

A pertinência deste projeto baseia-se no facto consensualmente aceite de que embora nas instituições de acompanhamento de jovens em risco, bem como na generalidade das escolas do nosso sistema de ensino regular, existam alguns mecanismos de intervenção social e psicológica, os técnicos dessas áreas não foram formados academicamente para o desempenho de tais funções quando intervêm com jovens / alunos com problemas emocionais e em situação de risco social, bem como nas escolas não existem sequer tais técnicos para a necessária articulação com as famílias, peça fundamental para uma adequada intervenção educativa.

Também os professores não foram adequadamente formados para leccionarem turmas com elevado número de alunos desmotivados e violentos, como também não foram preparados para trabalhar fora da escola, em espaços naturais e informais, sentindo dificuldades acrescidas quando têm necessidade, ou possibilidade, de articular o seu trabalho com associações que dispõem de recursos alternativos aos da sua escola, como sejam os casos de práticas de actividades de aventura, descoberta e risco controlado, que motivam os alunos e podem ser rentabilizadas para as aprendizagens escolares.

Por fim, os professores também não foram preparados para aproveitar os espaços informais e não-formais, as atividades físicas, desportivas e culturais, as dinâmicas de grupo, de forma a rentabilizá-las para a motivação dos alunos na aquisição de conhecimentos e competências.

Embora outros projectos europeus se tenham debruçado sobre o tema do insucesso, abandono e desmotivação escolares, acabaram por fixar a sua atenção nos materiais didácticos disponíveis e nos programas escolares.

A nossa experiência diz-nos que a resolução ou redução dos problemas do insucesso e abandono escolares, bem como da desmotivação dos alunos, passa mais por uma virtuosa articulação de condicionantes, como a do perfil e a da formação de professores, com condições organizativas da escola e das turmas, dos horários e programas, do aproveitamento de recursos existentes e das sinergias a criar.

Quanto ao perfil dos professores, e a uma atitude diferente destes, pensamos que em grande parte deverá ser adquirida e treinada, bem como a própria capacidade / descoberta de motivação para a leccionação, o que pressupõe diferente processo de formação e de monitorização das suas atividades, a adoção de novos espaços de aprendizagem e a descoberta de outros /novos momentos para tal, o que propiciará uma maior motivação dos alunos.

Para tal, é também necessário que seja assegurada a descoberta da utilidade dos saberes, da transposição destes, e de competências escolares adquiridas, para situações concretas da vida em sociedade, bem como seja assegurada a intervenção ativa dos jovens / alunos nos processos de aprendizagem e aquisição de saberes, na monitorização do seu processo de aprendizagem, bem como a sua participação na sociedade, no exercício da cidadania, começando na escola com a participação na resolução ou redução dos seus problemas.

Por tudo o que foi referido atrás, e pela especificidade do Programa Europeu Erasmus+, é evidente que este projeto é destinado à formação de profissionais, técnicos de instituições e de professores que intervêm com crianças e jovens com comportamentos sociais desadequados, com problemas de comportamento emocional, que se encontram em situação de risco social, com vista à prevenção do insucesso e do abandono escolares, da desmotivação pela escola e pela aprendizagem.

Programa ERASMUS+

Ação Chave 2 – Educação e Formação Pr5ofissional

Tipo de projeto: Transetorial

Código:  2014-1-PT01-KA200-000 470